Em todos os caminhos do crescimento humano, uma ênfase especial é dada a questão da mágoa. Não só pelo sofrimento que ela produz, mas também pelo transtorno que provoca nos relacionamentos.
Qualquer que seja o nome que damos a esse sentimento, ele se se caracteriza pela amargura na alma, uma sensação de injustiça a partir do mal que alguém nos fez. Além da dor, o componente fundamental da mágoa é a sua permanência. É uma incapacidade de parar de sofrer, mesmo com o passar do tempo.
A mágoa é uma forma de guardarmos para depois coisas que não queremos resolver na hora. Uma das características da vida é que ela só pode ser vivida no presente. O passado e o futuro, apesar de existirem na nossa cabeça, não têm existência real. O natural é que as coisas sejam vividas no momento em que elas ocorrem.
O sentimento de raiva tem o objetivo de nos ajudar a resolver nossos problemas e a mágoa é toda a raiva que ficou para depois. Guimarães Rosa define a mágoa no seu livro Grandes Sertões Veredas: "mágoa é lamber frio o que o outro cozinhou quente demais para nós".
A pessoa rancorosa apresenta as seguintes dificuldades: aceitar a imperfeição humana, idealizando uma realidade onde as pessoas nunca falhem com ela; expressar a raiva na colocação clara do seu desagrado diante do outro: viver o momento presente, sendo extremamente apegada ao passado.
Por isso, quem guarda mágoa é também um saudosista e culposo. Uma vez, porém instalada a mágoa, só nos resta uma saída: o perdão.
O perdão é a ponte que nos faz sair da depressão para a alegria. Por que tanta dificuldade em perdoar?
Há uma crença falsa de que o beneficiário do perdão é a pessoa que nos ofendeu. O perdão é algo bom para quem perdoa. Mas não, perdoar é ficar livre da dor causada pelo outro. Também há uma idéia igualmente falsa de que, ao perdoarmos, devemos esquecer o mal que nos fizeram e voltar a ter com esta pessoa o mesmo relacionamento de antes. Mas perdoar não é esquecer. É apenas parar de sofrer.
Perdoar não significa fazer de conta que nada aconteceu. pelo contrário, temos de levar em conta a experiência, revendo a relação.
Antônio Roberto

Nenhum comentário:
Postar um comentário